quinta-feira, 26 de novembro de 2015

     Meu grupo de RPG ao lançar-se na jogatina sempre tentou inovar. Seja lá qual for o sistema ou mundo, sempre demos um jeito de trazer um apelo para a mesa. Seja surfando na onda de algum sucesso do momento ou buscando um diferencial como por exemplo, o período histórico onde a aventura se passava. Robôs gigantes no Japão feudal, Vampiro no velho oeste americano, Mago no período escravocrata brasileiro... Muitos grupos já fizeram isso e muitas revistas e matérias especializadas em RPG buscavam adaptar algo diferente para determinado cenário. Como mestre sempre busquei oferecer esse diferencial. E uma de nossas aventuras que deu bastante certo, e conquistou fãs e adeptos de outras mesas que tinham contato com nosso grupo foi ambientar o universo de vampiro durante a segunda guerra mundial.
   Nada tão diferente, confesso, mas o que fez a aventura dar realmente certo foi REALMENTE ambientar o cenário,deu um trabalhão reunir material histórico sobre a segunda guerra mundial e utilizar personagens reais, e procurar interpretá-los de acordo com que dava para imaginar de suas personalidades e buscando momentos históricos adaptáveis para concluir a ambientação. E é inegável como o cenário de vampiro preocupa-se com isso, e quando o mestre procura , dá trabalho, fazer o mesmo, a coisa fica surpreendentemente fantástica, com uma trama central e diversas paralelas que convergem em rumos dignos de best sellers que deixaram as pessoas de queixos caídos com os rumos que a história tomou, e o desfecho é ainda mais esplendoroso quando busca-se até mesmo os mitos da época travestidos como personagens, alguns os próprios livros trouxeram, como Baba Yaga, na Rússia.
   Este post é mais um relato de como um experimento deu certo. Já havíamos ambientado com bastante sucesso, em duas cidades fictícias do velho oeste, uma aventura de Vampiro, envolvendo mineradoras corruptas, Ventrues doidos por grana, Gangrel protetores de tribos indígenas e toda a mística latina do México envolvida. Resolvemos dar um salto na história e utilizar os personagens do velho oeste no período da segunda guerra, fazer alguns retcons nos backgrounds e resgatar raízes europeias na forma de seus senhores, adaptamos umas coisas e tido estava se encaixando, cada um dos personagens tinha sua parcela de envolvimento no conflito, e além de seus senhores e suas disputas outros NPCs foram aparecendo e na medida do possível ganhando espaço e importância na história, que seguia o enredo dos anos conforme é narrado nos livros de história. A aventura estava bem legal e tinha momentos de adrenalina e tensão fazendo contraponto com momentos entediantes, onde a coisa parecia não andar para frente. Isso até outros elementos serem jogados na história. Os personagens haviam encontrado vários NPCs fictícios e visto um discurso de Hitler e lido sobre planos de Stalin, mas até então a guerra era o segundo plano dentro dos interesses dos senhores, nada de diferente motivava a ambientação do cenário. Aquele enredo poderia estar se passando em qualquer época, mesmo no velho Oeste. Com as diferenças que rolava aquele preconceito contra judeus ou empatia, dependendo do personagem, e pensamentos de quem estaria certo na guerra. Com os personagens todos vindos da América, a ponta de patriotismo os fez voltar contra seus senhores europeus, e eles matariam nazistas. Em qualquer aventura, sempre é bom matar nazistas, e isso por si só já é um baita trunfo para ambientar durante a segunda guerra, mas este odio aumentou quando foi introduzido Josef Mengele.
Josef mengele
   Conhecido como "anjo da Morte" ,Mengele nasceu em 1911, em Gunzburg, na Alemanha. Estudou medicina em Frankfurt e foi assistente do biólogo Otmar von Verschuer , cujo interesse científico o influenciaria pelo resto da vida: O estudo de gêmeos.  Nesse período ele entrou para o partido nazista. Ele foi transferido para Auschwitz quando foi ferido em conflito, e lá passou a chefiar a equipe que escolhia prisioneiros que seriam mandados para trabalhos forçados ou câmaras de gás, mas também pegava cobaias para experimentos cruéis, nos quais, por exemplo, tentava mudar a cor dos olhos das vítimas com produtos químicos, ou as infectava com doenças. Procurei pesquisar sobre estes experimentos, e quando coloquei os jogadores em contato com Mengele, os rumos da história mudaram e tudo passou a girar ali. Mengele permaneceu humano, não foi abraçado, em sua equipe um Tzimisce o auxiliava na condução a estes experimentos, sem tornar Mengele um carniçal, o vampiro considerava Mengele um visionário, um humano no caminho da trilha da metamorfose. E procurei um jeito de colocar os experimentos de ambos ,sempre em contato com os personagens, o que resultou num fascínio pelo anjo da morte, ainda mais por possuir uma história real, que conduziria os jogadores ao nosso país. Eles piraram ao saber que Mengele contou com ajuda de brasileiros que simpatizavam com o nazismo para vir ao Brasil e nunca ser punido por seus atos hediondos. Um misto de ódio e revolta tomou conta dos jogadores, e a aventura não teve mais momentos monótonos, passou a ser uma perseguição, que passou pela Argentina e terminou em Bertioga ,São Paulo.
Experimentos de Mengele
   Mas não foi só com Mengele que a galera topou de frente, pela Argentina encontraram outro fugitivo, Adolf Eichmann, que usou três nomes diferentes para chegar até a Argentina. Um burocrata especializado em retirar propriedades dos judeus que viviam na Alemanha, e organizar trens que os levavam aos campos de concentração na Polônia. Durante a aventura, os personagens embarcaram em um destes trens, e mais tarde descobriram que o organizador era Otto Eckmann, um sujeito que estava auxiliando na busca por Mengele, pois este havia conseguido um artefato com o Tzimisce, e que na verdade era Adolf Eichmann, o camarada que ferrou a vida deles em outro momento da história.Que não foi reconhecido por ter queimado sua tatuagem da SS...
   Quando os jogadores buscaram saber mais sobre estes personagens, o mergulho na aventura foi mais vívido, e o que ficou em segundo plano desta vez foram as intrigas vampíricas, em nome de uma trama pós guerra, com elementos que ancoravam os vampiros a aventura.
Elliot Welles
   Mas sabe o que aumentou ainda mais a paixão por todo aquele enredo? A inclusão de caçadores de vampiros e de caçadores de nazistas! Sendo estes últimos, também reais, e procurando dar o desfecho da crônica , o mais perto possível da realidade. Então a inclusão de Elliot Welles, sobrevivente do holocausto na ajuda aos personagens, após o auxilio dado para encontrar o nazista que matou sua própria mãe, ele ajudou a procura Mengele, desmascarar Eichmann e no processo prender outro figurão nazista refugiado: Josef Scwammberger. E disso tudo , acabamos por programar uma aventura de caçadores de nazistas e retiramos os vampiros da equação, enquanto na aventura de vampiro passamos a colocar mais e mais elementos sobrenaturais, observando o flerte destas figuras históricas com o mundo das trevas e o interesse do mundo das trevas nestes personagens, o que culminou na presença de elementos como magos e lobisomens.
   A intenção do post ao promover este relato é: Tente utilizar personagens históricos em suas aventuras, ambiente suas aventuras em um período histórico específico e tente explorar o máximo o que este recorte histórico tem a oferecer.
#LeandroSilvio
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